Wednesday, October 01, 2014

Entrevista com Ramon Sender


Ramon Sender nasceu em Madrid, Espanha, no dia 24 de outubro de 1934. A mãe de Ramon, Amparo Barayón, nasceu em Zamora, cidade localizada próxima a Portugal, e trabalhava na companhia telefônica em Madrid quando conheceu Ramon J. Sender, o pai de Ramon, um jornalista e escritor espanhol bastante conhecido. Amparo, pianista clássica, também se apresentava ocasionalmente no clube El Ateneo. Ela e Ramon se conheceram durante uma greve da companhia telefônica, a qual Ramon havia sido enviado para cobrir como jornalista. Eles passaram a viver juntos e logo seu filho Ramon nasceu. Menos de dois anos depois, Amparo deu à luz Andrea, irmã de Ramon. Era o começo da Guerra Civil Espanhola e a família teve que se separar porque Ramon J. Sender estava sendo perseguido pela milícia de direita. Ele pediu à Amparo que fosse para Zamora, sua cidade natal e possivelmente um local mais seguro para permanecer com as duas crianças, mas Zamora também já estava tomada pelas mãos dos fascistas. Ramon J. Sender estava em Madrid no período e os planos eram para que Amparo e as crianças escapassem para a França, via Portugal, então Amparo tentou conseguir um visto de saída e um passaporte. Em vão. Em agosto de 1936, o irmão de Amparo, Antonio, foi preso e assassinado, então Amparo confrontou o governo militar exigindo explicações e acabou sendo presa também. Ela permaneceu na prisão de setembro até meados de outubro de 1936, quando foi "libertada" nas mãos de um esquadrão assassino e morta à noite, em um cemitério. Ramon Sender tinha dois anos de idade e sua irmã Andrea era um bebê recém-nascido quando sua mãe foi assassinada.

Assim que Ramon J. Sender teve noticias sobre a morte da sua esposa, deu um jeito de levar os pequenos Ramon e Andrea à França, onde eles viveram por algum tempo, até março de 1939, quando o pai levou as duas crianças para New York, Estados Unidos, de navio. Ramon Sender tinha quatro anos de idade e Andrea tinha dois. Nos Estados Unidos, Ramon J. Sender decidiu ir para o Mexico e as duas crianças ficaram aos cuidados de uma mulher norte-americana chamada Julia, que tornou-se a segunda mãe de Ramon e Andrea. Exceto por alguns poucos anos que Ramon, Julia, Andrea e o esposo de Julia viveram em Clarksburg, West Virginia, a família residiu basicamente no estado de New York, onde Ramon foi incentivado por Julia a aprender a tocar piano. Ramon também se interessou pelo acordeon, parcialmente por causa de um menino gordinho que ele conhecia na escola e que era bastante popular tocando o instrumento. Então Ramon pediu a Julia um acordeon e ganhou quando completou 10 anos de idade, como um presente combinado de aniversário e natal.

Um dos principais professores de piano de Ramon Sender durante sua juventude foi o famoso pianista George Copeland, com quem Ramon estudou até 1952. Neste período, Ramon também estudou harmonia com Elliot Carter por dois anos, antes de decidir (por sugestão de George) que iria para a Itália, estudar no Conservatorio di Santa Cecilia, em Roma. Depois de algum tempo na Itália, Ramon decidiu voltar aos Estados Unidos e cursou a Brandeis University, em Boston, MA, onde estudou com Irving Fine e Harold Shapero. Em 1954, aos 19 anos de idade, Ramon Sender casou-se com sua primeira esposa, Sibyl. Quando Sibyl soube que estava grávida o casal decidiu mudar-se para New York, onde Ramon teve vários empregos e trabalhou duro para manter-se com a esposa e a filha recém nascida. Mas as coisas não estavam indo de acordo com o que Ramon e Sibyl esperavam e eles se separaram (não pela primeira e nem pela última vez).

Em 1956, Ramon Sender ficou sabendo de um concerto de música eletrônica na Martha Graham Foundation, em New York. Compareceu e este foi seu primeiro contato com a composição "Gesang Der Jünglinge", de Karlheinz Stockhausen. O evento também contou com uma palestra de Louis e Bebe Barron (o casal havia recém finalizado a primeira trilha sonora totalmente eletrônica para um longa metragem, o filme "Forbidden Planet"). Ramon foi pego pela música eletrônica e pela tape music,  e o evento sinalizou o início de um novo horizonte musical para ele. No inverno de 1957, frequentou as aulas de composição ministradas por Henry Cowell na Columbia General Studies e, no ano seguinte, viajou rumo a San Francisco, California, pela primeira vez, dirigindo de Leste a Oeste através dos Estados Unidos. Uma das primeiras coisas que Ramon Sender fez quando chegou em San Francisco foi visitar a livraria City Lights, onde ele conheceu os poetas e escritores Lawrence Ferlinghetti e Michael McClure. Ele também fez amizade com o então diretor da rádio KPFA, Alan Rich, e com o compositor Loren Rush que, a pedido de Ramon, indicou Robert Erickson como sendo o melhor professor de composição na região de San Francisco.

Ramon Sender, Michael Callahan, Pauline Oliveros
e Morton Subotnick no SFTMC.
Em 1958, Ramon retornou à Costa Leste e juntou-se à Bruderhof, uma comunidade cristã localizada perto de New York. Sender permaneceu lá por quase um ano e meio, e então decidiu retornar à Costa Oeste. De volta a San Francisco, ele se matriculou em um curso completo de estudos musicais no San Francisco Conservatory, tendo aulas de harmonia com Sol Joseph e audição, improvisação e composição com Robert Erickson. Estudou no Conservatory de 1959 a 1962 e neste período, nas aulas de Erickson, ele conheceu a Pauline Oliveros e reencontrou o Loren Rush. No seu segundo ano no conservatório, ele interessou-se em adicionar fitas pré-gravadas às suas composições e passou a utilizar a sala de aula de Robert Erickson como seu estúdio de gravação. Durante o verão seguinte, ele decidiu construir um estúdio de música eletrônica no sótão do San Francisco Conservatory e, utilizando um martelo e uma talhadeira, fez uma sala para abrigar o estúdio. Em outubro de 1961, o estúdio de música eletrônica estava pronto, com equipamentos coletados, construídos e adquiridos por Ramon Sender. O concerto de inauguração do estúdio foi chamado de Sonics e, na sequência, uma série de seis Sonics aconteceu, entre dezembro de 1961 e junho de 1962, com peças de compositores como Pauline Oliveros, Morton Subotnick, Terry Riley, Bruno Maderna, Luciano Berio e James Tenney, entre tantos outros. Ramon Sender teve suas composições "Transversals" (1961), "Kronos" (1962), "Parade" (1962) e "Tropical Fish Opera" (1962) apresentadas pela primeira vez em alguns destes concertos. O último dos Sonics aconteceu no dia 11 de junho de 1962 e, logo em seguida, Ramon Sender e Morton Subotnick fundaram oficialmente o San Francisco Tape Music Center, juntando seus equipamentos e mudando-se para uma antiga casa vitoriana localizada na Jones Street, número 1537, em Russian Hill, San Francisco. Neste local eles permaneceram por alguns meses antes de mudarem-se novamente, desta vez para uma casa no número 321 da Divisadero Street (não antes de um incêndio acontecer no casarão antigo da Jones Street.) A última apresentação na Jones Street foi "City Scale", um happening escrito e dirigido por Ramon Sender, Anthony Martin e Ken Dewsey, para o qual uma grande parte da cidade de San Francisco foi utilizada como palco.

A maior parte dos concertos e gravações do San Francisco Tape Music Center aconteceu na Jones Street, 1537 e na Divisadero, 321, e a história sobre este período é muito bem contada em um livro originalmente publicado em 2008, "The San Francisco Tape Music Center - 1960s Counterculture And The Avant-Garde", escrito por David W. Bernstein. Ramon Sender também tem sua versão sobre os fatos do período, publicados em uma novela que mistura fatos reais com ficção, chamada "Naked Close-Up", publicada em 2012 pela Intelligent Arts. Algumas das composições de Ramon que datam deste período incluem "Triad" (1962), "Balances" (1964) e também sua peça mais conhecida, "Desert Ambulance" (1964). No final de 1964, Don Buchla projetou e entregou o protótipo do seu Electronic Music Box Series 100 - ou simplesmente 'Buchla Box' -, encomendado por Ramon Sender e Morton Subotnick para o San Francisco Tape Music Center. O SFTMC também foi palco da estréia de "In C", famosa composição de Terry Riley, em novembro de 1964. Os membros do SFTMC também foram responsáveis por várias mudanças e inovações nas artes multimídia, incluíndo dança, poesia, filmes e projeções de luz nas suas performances. O Centro também foi um dos primeiros pontos de intersecção entre as artes de vanguarda, a música eletrônica acadêmica e a cultura pop-rock-hippie-psicodélica que estava emergindo em San Francisco na época. Ramon Sender, Stewart Brand, Ken Kesey e Bill Graham formaram o time de produção responsável pelo famoso Trips Festival, que aconteceu entre 21 e 23 de janeiro de 1966, no Longshoremen's Hall. Um marco e um divisor de águas na história da cena artística e comportamental de San Francisco, o festival contou com bandas como The Grateful Dead, Big Brother and the Holding Company (antes da Janis Joplin juntar-se ao grupo) e The Loading Zone, juntamente com o poeta e escritor Allen Ginsberg, o aparato de som e luz de Don Buchla, as projeções visuais de Anthony Martin, a performance "America Needs Indians" de Strewart Brand e também os Merry Pranksters.

Depois do Trips Festival, Ramon Sender decidiu sair em retiro no deserto por algum tempo. Naquele ponto, o San Francisco Tape Music Center - posteriormente chamado de Center For Contemporary Music - estava prestes a mudar para o Mills College (uma das condições para que o SFTMC recebesse uma grande gratificação em dinheiro da Rockefeler Foundation era que o grupo se associasse à alguma instituição ou universidade). Morton Subotnick já havia aceito um convite para mudar-se para New York, então a nova configuração do Centro ficou sendo Pauline Oliveros como diretora geral, William Maginnis como diretor técnico e Anthony Martin como diretor visual. Ramon, que algum tempo antes havia conhecido o jornalista e ex-baixista dos Limeliters Lou Gottlieb, decidiu juntar-se a ele e fundar uma comunidade chamada Morning Star Ranch.

Durante sua vida e carreira posteriores ao San Francisco Tape Music Center, Ramon Sender viveu em algumas comunidades, a maior parte delas na região de San Francisco. Ramon tem várias histórias sobre antes, durante e depois do San Francisco Tape Music Center, e você pode encontrar algumas delas em uma longa entrevista que Ramon concedeu à Tessa Updike e à MaryClare Brzytwa em abril de 2014, como parte do San Francisco Conversatory's Oral History Project. Há 10 anos, nos dias 1 e 2 de outubro de 2004, Ramon Sender, Pauline Oliveros, Morton Subotnick, Tony Martin e Bill Maginnis reuniram-se para um evento no Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy, NY, para celebrar o San Francisco Tape Music Center. O evento foi filmado e é parte do livro de David W. Bernstein sobre o SFTMC, que eu mencionei anteriormente.

Meu contato com Ramon Sender para esta entrevista foi feito via email. Ele gentilmente encontrou tempo para responder algumas questões sobre pontos específicos da sua vida e carreira como compositor e membro fundador do San Francisco Tape Music Center. É um prazer e uma honra contatar e entrevistar este grande compositor, este grande artista e esta figura humana tão gentil! Sou muito grato ao Ramon Sender! E agora, a entrevista! Viva Ramon Sender!


ASTRONAUTA - Ramon Sender, quais são as suas memórias musicais mais antigas? Como e quando você percebeu que a música era algo importante na sua vida? 

RAMON SENDER - Minhas memórias musicais mais antigas são da minha mãe, quando eu tinha por volta de um ano de idade. Ela era pianista clássica e estava tocando Albeniz. Havia também um garoto gordinho na sala de aula, na primeira série, que tocava acordeon. Eu queria ser como ele e tocar acordeon também. Comecei a ter aulas de piano, mas eu dizia para minha mãe americana que eu queria ter um acordeon. Quando eu tinha dez anos de idade ela me deu um, como presente de aniversário e natal juntos. Eu nunca tive aulas, mas prendi a tocar músicas que eu ouvia no rádio e também aprendi como utilizar os acordes corretamente, só praticando.

ASTRONAUTA - Como você passou a se interessar por música eletrônica e manipulações de fitas?

RAMON SENDER - Eu fui a um concerto do Composers Forum em New York City, em 1956, e ouvi "Gesange der Jünglinge", do Stockhausen. Imediatamente eu saí e aluguei um wire recorder (era o único tipo de gravador disponível na época).

ASTRONAUTA - Quais as suas lembranças da primeira vez que você encontrou com Pauline Oliveros? E com Morton Subotnick e William Maginnis? 

RAMON SENDER - Pauline ocasionalmente aparecia nas aulas de composição do Robert Erickson no Conservatório, em 1959, 1960, como ex-aluna dele na San Francisco State University. Como colegas de acordeon e sendo ambos admiradores de Erickson como professor e compositor, nos tornamos grandes amigos e permanecemos assim por todos estes anos. Uma visão fantástica desta época está no meu e-book de 'ficção histórica' "Naked Close-Up", disponível online.

Em 1961 eu construi um estúdio de música eletrônica primitivo, no sotão do Conservatório, e comecei uma série de concertos chamada de "Sonics". Nós incluímos improvisação ao vivo no concerto (Erickson era um grande entusiasta da improvisação e transmitia este entusiasmo para todos os seus alunos de composição). Depois do concerto, Subotnick veio até o palco e perguntou "Posso tocar também?" Então colaboramos em vários outros concertos que planejamos para a temporada de inverno. Em junho do ano seguinte, nos mudamos para nosso próprio local, fora do Conservatório.

Bill Maginnis descreve assim a maneira como nos conhecemos: "Eu fui até o Tape Center, atravessando a rua, porque eu precisava copiar uma fita, e me apresentei a Ramon. 'Você conhece alguma coisa de eletrônica?' ele perguntou. 'Bom, sim', eu respondi. Você saberia como construir um ring modulator?' 'Sim, eu acho que sim', eu respondi. Ramon pegou um punhado de chaves e começou a separar algumas. 'Aqui está a chave da porta da frente, aqui está a do estúdio', ele disse. 'Você é nosso novo técnico'.

Tony Matin, Bill Maginnis, Ramon Sender,
Morton Subotnick e Pauline Oliveros.
Nós pagávamos um pequeno salário a Bill, e também arrumamos uma bancada de trabalho para ele, em um canto. Ele era fantástico e mantinha tudo funcionando, além de ser um compositor talentoso também. Uma das suas peças eletrônicas está entre as minhas favoritas - "Life Time", que foi realizada batendo um oscilador de alta frequência contra a frequência do cabeçote de gravação. Os diferentes sons gerados foram então manipulados um pouco por ele. A peça causa uma sensação estranha, etérea, que eu gosto.

Posso colocar uma cópia dela nos meus arquivos compartilhados do dropbox, e você pode baixa-la:


Várias peças minhas estão disponíveis também na mesma pasta pública (áudio apenas):

The Tropical Fish Opera

Desert Ambulance (sem as projeções)

gayatri_final mix.aup

Xmas Me-Ushas.mp3

Audition sample.mp3

Worldfood XII sample.mp3

100 Favorite Classical Masterpieces-FINAL.mp3

ASTRONAUTA - Como surgiu a idéia de vocês utilizarem projeções durante os concertos de música eletrônica? E como você conheceu Elias Romero e Tony Martin? 

RAMON SENDER - Quando fizemos a peça "City Scale", em dezembro de 1962, um dos eventos era levar o público (em um grande caminhão) até a igreja abandonada que era utilizada pelo San Francisco Mime Troupe, em Mission Distict, para assistir a um light show de Elias Romero. Foi minha primeira experiência com projeções líquidas, e logo percebi que as projeções poderiam funcionar como um elemento visual nos nossos concertos. Você não faz idéia da importância do elemento visual em um concerto até que ele não está mais lá. Então fui até o meu amigo Tony, um pintor expressionista abstrato, e pedi para ele que juntasse ao nosso time e compusesse a parte gráfica para nossas peças. Ele estava relutante no começo, mas eu consegui com que ele desse o braço a torcer!

ASTRONAUTA - Quais suas lembranças do seu primeiro contato com Don Buchla? E como a chegada do 'Buchla Box', em 1964, mudou o processo de composição no San Fancisco Tape Music Center?

Bill Maginnis e Ramon Sender com o
'Buchla Box'.
RAMON SENDER - Nós estávamos desesperados para conseguirmos uma mesa de mixagem, alguns pré-amplificadores, etc. Mas também procurávamos por alguém que pudesse projetar o 'instrumento dos nossos sonhos'. Buchla veio em um dos nossos concertos - ou talvez ele tenha respondido um anúncio que colocamos no jornal.

Se o 'Buchla Box' mudou o processo de composição no nosso centro? Para Subotnick, quase imediatamente. Para Pauline mais gradualmente, principalmente quando o SFTMC foi transferido para o Mills College e ela assumiu a direção. Eu estava no meio do processo de sair da cidade quando o Buchla chegou mas então, no inverno de 1967-1968, eu precisava de um emprego e Don me permitiu soldar as placas de circuito e viver na sua oficina. Na oficina, nós tínhamos um estúdio completo com equipamentos Buchla e eu passei um período muito feliz por lá.

ASTRONAUTA - Ao que parece, San Francisco foi um dos primeiros lugares do mundo a romper as fronteiras entre a música eletrônica acadêmica e o pop-rock psicodélico e eletrificado, e o San Francisco Tape Music Center foi um dos grandes responsáveis para que isto ocorresse. E, na minha opinião, o Trips Festival foi algo como o ponto crucial, marcando o final de uma era e, ao mesmo tempo, o começo de outra era para o SFTMC como um grupo, para você como artista e também para a emergente cena rock da região, formada por bandas como The Grateful Dead e Big Brother and the Holding Company, que acabaram ficando muito famosas depois do festival. Minha pergunta é, como você vê o Trips Festival, agora que quase 50 anos se passaram desde aquele final de semana em janeiro de 1966? Quais foram as maiores dificuldades para a realização do festival, e quais as coisas mais gratificantes? Você faria algo diferente se tivesse a chance de organizar o Trips Festival novamente?

Ramon Sender no Trips Festival, 1966.
RAMON SENDER - Em 1965 eu estava começando a enjoar do formato dos nossos concertos no Centro. Eu queria fazer algo que eu chamava de "Sunday Morning Church", que incluiria todas as religiões antigas e misteriosas, como o Mitraísmo. Eu comentei sobre o assunto com meu amigo Tony, que me disse que havia um fotografo, Stewart Brand, fazendo um show miltimídia, com slides, chamado "America Needs Indians". Então eu fui falar com Stewart e nós trocamos algumas idéias durante um final de semana no Eselen Institute, em Big Sur. Poucos meses depois, ele me telefonou e disse que Ken Kesey estava na cidade, organizando o Acid Test com o Grateful Dead. Eu fui à sua apresentação no Fillmore e uma semana depois, talvez um pouco mais, o Stewart me chamou e disse que "Kesey queria organizar um final de semana inteiro de concertos, que ele chamaria de 'The Trips Festival'."Ele juntaria os grupos mais interessantes da região. Então nós entramos e passamos a trabalhar na idéia, mais ou menos como 'co-produtores'. Como as energias estavam ficando mais fortes, nós contratamos o Bill Graham, que havia justamente produzido um  evento bem sucedido, beneficiente para o Mime Troupe, e ele passou a ser o nosso "faz tudo". E ele fez um ótimo trabalho.

O que eu faria de diferente, se refizessemos o festival? Meu sonho era passar o som do Big Brother pelo ring modulator do Buchla, e então gradualmente mudar a modulação, sem que as pessoas soubessem exatamente o que estava acontecendo. Mas eu estava tão atarefado com os detalhes práticos e, apesar de estarmos com o Buchla em uma plataforma central, tudo o que fizemos foi toca-lo junto com várias bandas. 

ASTRONAUTA - E, uma última pergunta, quais são seus planos (e visões) para o futuro, como artista e como ser humano? 

RAMON SENDER - Meus planos futuros como artista/ser humano são, em primeiro lugar, continuar a entoar a oração Gayatri para o sol todas as manhãs. É a oração mais antiga que conhecemos, e em sânscrito é assim:

"Om, Bhur, Bhuvaha,
Svar, Tat Savitur Varenyam, Bhargo Deevasya
Dheemahee, Dyo Yo Naha Prachodayat,
Om Tat Sat."

Ou, caso você prefira em inglês, aqui está minha tradução pessoal: 

"Aum, oh earth, oh air, oh golden light,
Oh, that brilliance most adored!
We drink the splendor of that One who
inspires our heartbeats to quicken with love."

Em português:

"Aum, oh terra, oh ar, oh luz dourada,
Oh, brilho mais adorado!
Nós bebemos o esplendor daquele que
inspira nossos corações baterem acelerados, com amor."

E então eu digo "Que todos os serem fiquem em paz, com saúde e felizes para sempre," e peço por bençãos especiais para minha esposa, minhas crianças, netos, animais de estimação, etc.

É para concentrar-me nas descobertas do projeto descrito aqui:
http://www.raysender.com/obeata.html

E, mais recentemente, no livro que eu estou polindo ainda, mas que está descrito aqui:
www.raysender.com/touchingnirvana.html
Eu pretendo ter a versão final pronta no meu 80º aniversário.

Aqui tem um sumário de uma página:
http://www.raysender.com/universalpanacea
(veja também a cópia em anexo)

Aqui, uma entrevista:
https://www.youtube.com/watch?v=Qaju5XaGvII

E aqui três vídeos meus demonstrando vários exercícios:

Purring To Nirvana
https://www.youtube.com/watch?v=qpc6uyyz7bw

E um artigo complementar: 

Touching Nirvana

E aqui, uma antiga explicação técnica:

Te desejo tudo de bom!
Ramon

ASTRONAUTA - Muito obrigado pela oportunidade de entrevista-lo, Ramon!
Tudo de bom para você!
Astronauta Pinguim

Site oficial do Ramon Sender: www.raysender.com

Ramon Sender com Riqui, 2014. Foto: Tessa Updike
"A Death in Zamora", livro de Ramon Sender.
Morton Subotnick e Ramon Sender.
Ramon Sender, foto de Cathy Akers.

Tuesday, September 02, 2014

Interview with Michael Rother

Photo: Ann Weitz, 1973.
Michael Rother was born on September 2nd, 1950, in Hamburg, Germany. His first contact with music was listening to his mother playing the music from her favorite composer, Frédéric Chopin, on the piano. During his childhood he lived in Munich (Germany), Wilmslow (England), and in Karachi (Pakistan, where he had contact with Pakistani music). After that, in early 60s, his family moved back to Germany, to Düsselfdorf, where Michael joined his first band, "Spirits Of Sound", in which he played the guitar from 1965 to 1971. Also in Düsseldorf, Michael Rother joined Florian Schneider and Klaus Dinger on Kraftwerk, during a short period of time in which Ralf Hütter had left the band to dedicate himself to his studies in architecture. With Kraftwerk, Michael Rother played in some concerts, and also did some TV and radio appearances, but more than that, he and the drummer Klaus Dinger discovered that they had more musical ideas and visions in common between the two than with Florian Schneider. Soon, Rother and Dinger left Kraftwerk to form NEU!, one of the greatest bands in Germany in the seventies, being an influential band to artists like David Bowie, Brian Eno, Iggy Pop, Joy Division, and Ultravox, among many others. NEU! recorded three essential albums in the seventies (NEU!, 1972; NEU! 2, 1973; and NEU! 75, 1975), working with another influential name of the German rock, producer Conny Plank.

In 1973, Michael Rother met Hans-Joachim Roedelius and Dieter Moebius. Together, Roedelius and Moebius were already well-known names in the German rock and experimental music scene, since late 60s, first playing with Conrad Schnitzler as Kluster, and then as a duo renaming themselves as Cluster. Michael Rother had listened to a track by Cluster, and became interested on the duo's music, first willing to ask Roedelius and Moebius to join NEU! to an tour in the UK, and then moving himself to Forst, where Rodelius and Moebius lived, to form Harmonia, another influential German band from the seventies. Harmonia's first album, "Musik Von Harmonia" was released in January, 1974. Also in 1974, Michael Rother co-produced "Zuckerzeit", Cluster's third album, and it was during a concert by Harmonia at the Fabrik, in Hamburg, that Brian Eno had contact with Rother, Roedelius and Moebius. In 1975, Harmonia released their second album, "Deluxe" (with drummer Mani Neumeier as a guest musicians in some tracks), and in the following year, on September, Brian Eno joined the trio in their house in Forst, Germany. "Tracks and Traces", an album by Harmonia and Brian Eno, was recorded during Eno's stay with the band, but the album was released only in 1997, and then re-released with extra tracks and in a very well-packaged issue via Grönland label, in 2009 (in 2007, Grönland also released another Harmonia album, "Live 1974", recorded on a concert by the trio at Penny Station, in Griessem, Germany, on March 23rd, 1974.)

Photo: Ann Weitz, 1976.
Michael Rother's solo career began in 1977, with the great album "Flammende Herzen" (co-produced by Conny Plank, and recorded at Conny's studio, between June and September, 1976). Michael Rother recorded all instruments on "Flammende Herzen", except the drums, which were recorded by Can's drummer Jaki Liebezeit. "Sterntaler", Rother's second album, also was recorded with Conny Plank and Jaki Liebezeit, and was released in 1978. "Katzenmusik", the third solo album, was released in 1979, and in 1982 Michael Rother released his fourth album, "Fernwärme", recorded in its entirely in Forst (that was the first of Michael Rother's albums to be released via Polydor Records). His following solo albums are: "Lust" (1984), "Süßherz und Tiefenschärfe" (1985), and "Traumreisen" (1987). "Radio", a compilation album from 1993, was the first album to be released via Random Records, Michael Rother's own label, and was followed by "Esperanza" (1996) and "Remember - The Great Adventure" (2004).

In November 2010 I had the opportunity to see Michael Rother live at SESC Vila Mariana, São Paulo. It was a very nice concert, in which Michael Rother, drummer Steve Shelley and bassist Aaron Mullan, played as Hallogallo 2010. An awesome concert, I must say! I contacted Michael Rother to invite for this interview some months ago, and I'm glad he found some time in his busy agenda to send me the answers to the interview in audio, which I gladly did the transcription (with some help from Mr. Rother himself). So I'm having the opportunity to publish it today, on September 2nd, Michael Rother's birthday! Thank you, Mr. Rother, and have a nice birthday!

And here's the interview:

Photo: Hadley Hudson, 2001.
ASTRONAUTA - Michael Rother, what were your first steps in music, and your first musical instruments?

MICHAEL ROTHER - My first steps in music were, of course, listening to my mother play classical piano, when I was a very young child. My mother had a classical training as a piano player, and she played her favorite composer, Chopin, Frédéric Chopin, at home. Later on, when I was about 7 and 8, my brother, who is ten years older, celebrated rock'n'roll parties at home. So, I listened to rock'n'roll music, artists like Chuck Berry, Elvis Presley, and Little Richard especially, whom I still love today.

ASTRONAUTA - In your childhood and teenage days, you moved to other countries - England, Pakistan. How did the music made in those countries influenced your life and your own music?

MICHAEL ROTHER - When I was 9 years old, after living in England for one year my family moved to Karachi, Pakistan, where we stayed for three years, and I listened... I came in contact with the music of Pakistan. There were musicians, local musicians, bands playing in the streets, and they had strange fascination for me. I felt a strong connection to the magical endless kind of music that seemed to have no beginning and no end, and I think that is an emotional and special connection I have to music up to my present days, the idea of a music that goes on forever, without a certain point of ending.

ASTRONAUTA - Before joining Kraftwerk you had a band called 'Spirits Of Sound', that's right? Where did 'Spirits Of Sound' played at the time? Did the band recorded something?

MICHAEL ROTHER - My family and I moved back to Germany in 1963. I lived in Düsseldorf with my parents. It was an exciting time because new musical sounds from England - especially England - came to Germany, music by bands like The Beatles, Rolling Stones, Kinks, and many others. Everybody, amongst my friends and colleagues, we were all impressed by that music, and so many boys had the idea to play an instrument. I joined a band of boys in my class when I was 15. The band was called "Spirits Of Sound." I choose the guitar, which was something that already appealed to me when I lived in Pakistan, where I tried to create a guitar out of a local instrument called Japan Banjo - I think the name in Pakistan was different, but that was the name on the first NEU! album, when Klaus Dinger played that same instrument, strangely.

"Spirits Of Sound" was, of course, a school band, an amateur band, and we were happy to copy our heroes, trying to sound like The Beatles, Stones, and other bands. That was all we had as an ambition. I loved playing music, I played the guitar from the moment I could, after finishing my homework from school, until the evening. Our band was invited to play at school festivals, and in other small venues around Düsseldorf, and we became quite popular in the city. So, in the following four or five years, we gradually became better as a band, and also picked up rock music by guitar heroes like Eric Clapton with Cream, and later even Jimi Hendrix, who was a big inspiration to me, and still is. "Spirits Of Sound" was in a record studio in the late 60s too, because we were invited to participate in a film called "Ein Tag Ist Schöner Als Der Andere," roughly translated "Each Day Is More Beautiful Than The Other," and we were offered the chance to record two songs. I still have the tape in my archives, and it just gives you an idea of what we, still at the time, were trying to go for, it was a sound I soon would leave behind.

ASTRONAUTA - How was the transition from being a member of Kraftwerk to form NEU! with Klaus Dinger?

MICHAEL ROTHER - In 1971, when I played with Florian Schneider and Klaus Dinger as Kraftwerk, we had some really exciting concerts and great evening, but also some concerts which were not enjoyable. It was partly due to the conflicts between the members, and also because, due to the fact that we created music on the spot, it was not a completely premeditated music, and so we were dependent on the situation, and the atmosphere, and the feedback of the crowd. Sometimes, when it was not a good venue or the circumstances were not very pleasant, we did not manage to create great music, and the struggles became bigger in Kraftwerk when Florian, Klaus and I unsuccessfully tried to record the second Kraftwerk album with Conny Plank, in the studio, and it was very clear to us that the three of us wouldn't keep on working together as a trio, and Klaus and I had much more in common, our visions of music seem to have more in common than what Florian was going for, and so after we split, Klaus Dinger and I decided to continue as a duo, and we got in touch with Conny Plank and asked him whether he would be willing to record with us and that was the beginning of the band NEU! Of course, at the time, we did take some of our ideas, some of the music we had been playing with Florian, as a vision of music, into the studio. But, as it is, the first NEU! album does sound very different and in my own perception, it is the beginning of my own music and it has a very clear cut to everything I did before that time so, there are similarities but it was a very big step for me, and I guess also for Klaus.

ASTRONAUTA - How did you meet Roedelius and Moebius?

MICHAEL ROTHER - With Klaus Dinger, it was possible for me to record music, it was a very successful combination. Klaus Dinger had the qualities I lacked, and I guess it was also the other way around, and so we managed to record the music we did. However, as a duo, with Klaus Dinger playing the drums and me playing guitar, in a live situation there was not enough depth in music, on our 2 instruments we could not create enough details, and so we tried several musicians and, looking back, it's quite clear that it couldn't work because our vision of music was different from, and that was also the idea behind the music, was different from what every other musician had in his mind, and so we more or less stopped looking for other musicians. But then I discovered a track by the band Cluster, who also worked with Conny Plank, and I recognized some musical similarity to my own ideas, it was a track called "Im Süden," and so I took my guitar and visited Roedelius and Moebius in Forst, in order to find out whether they were suited to play with NEU! on a tour to the UK. The British label United Artists had released NEU! albums, and the single, and they invited NEU! to do a tour to the UK, and so that was the reason why I went to the countryside to visit Roedelius and Moebius, and because i had my guitar with me, I was able to jam with Roedelius especially, and strangely, and surprisingly, discovered that the music I was able to play with Roedelius was even more interesting for me, especially because the combination with both musicians, Moebius and Roedelius, led in good moments to a complete and fascinating music. We could play live and create a very full picture of music, very detailed sounds, and that was, for me, it was very exciting and a whole new field of music which I wanted to discover and develop with the two musicians. That's why I moved to Forst, and that's where I still live.

ASTRONAUTA - In 1976 Brian Eno spent some days with Harmonia in Forst. What are your memories from that time?

MICHAEL ROTHER - We met Brian Eno in 1974. Harmonia was playing in Hamburg, we had a concert at Fabrik, in Hamburg, and Brian Eno was visiting Germany to promote his album, and he found out that we were playing, and then he asked a journalist who interviewed him to take him to our concert. And so, Brian ended up sitting in the venue, and we were introduced, and we invited him to visit us in Forst. It took him two years and, two years later he called and asked whether he could now come to Forst and visit us, which was not the best timing because in summer '76 Harmonia disbanded. All three of us had already recorded our own, each one a solo album, with Conny Plank. I had recorded "Flammende Herzen", Roedelius had an album called "Durch Die Wüste," and Moebius did a collaboration with another musicians, called "Liliental." So, anyway, we didn't want to turn Brian Eno down, he was on the way to working with David Bowie, and so, we picked him up in Hanover, at the airport, and he spent 11 or 12 days in Forst. We enjoyed his presence, we talked a lot about music, we made music in the studio, but there was absolutely no pressure on us because our understanding was just to exchange ideas on music and not to release an album. I had a 4-track tape recorder and so, we were four musicians and each one of us had one tracks and so, sometimes we sat in the studio, with all four of us, and sometimes only three or only two, and just made sketches of musical ideas, when we were not walking along the river Weser, or taking a walk in the forest nearby, or drinking tea, or just sitting outside in the sun and relaxing. So, this was a very relaxed period but looking back and listening to the recordings we had during those 12 days, 10 or 12 days, it was also a period of high musical potential, it is obvious that we were in a very creative and relaxed mode. We released a version which Hans-Joachim Roedelius had edited in 1997, and in 2008 I added three more tracks from my own cassette, with mixes I did for myself just on the evening before Brian Eno left and took the tapes with him, because the idea was for him to return after he finished working with David Bowie. This didn't happen but luckily I had my own cassette document, and discovered that there were even more really beautiful ideas, and I choose three tracks, and Roedelius and Moebius agreed that we should add those three tracks to the album "Tracks and Traces," and it was released on Grönland label in 2009, and that's the current version which I really recommend. It's a document of a very productive phase of all four musicians.

ASTRONAUTA - What were the main instruments that you used in the 70s?

MICHAEL ROTHER - Well, the main instruments in the seventies were, of course, my guitars and the small gear I had to treat the guitar, like fuzz box, wha-wha pedal, volume fader pedal, and also a delay you can hear on all the recordings, which was very important to create the sound. But then, in the seventies, I also started working on some synthesizers, especially Farfisa, because I got to know the main guy in Germany, the distributor of Farfisa, so we ended up with quite a lot of Farfisa gear. Farfisa pianos/synthesizers were also used by the bands Can and Kraftwerk, we had some of those sounds on Farfisa synthesizers and pianos in common. Sometimes, if you listen to the original instruments on their own, they sound quite poor and not really very interesting, but in combination with the effects that we could add, some special treatment that you could give the sound, it was possible to create interesting music landscapes, and you hear, for instance, NEU!75, the first track "Isi", that's a Farfisa, a lot of Farfisa, which was treated with some of the very simple old school gear, and suddenly you had a very lively sound. Those were my main instruments in the seventies. And, because I can't really give away musical instruments which I have used to create music, I still have that, nearly everything I have used, I have it in my own small musical museum.

ASTRONAUTA - In November 2010 you played in Brazil. What are your memories from that concerts?

MICHAEL ROTHER - Well, the tour was exciting because before that, before 2010, I had never even visited South America, not played in any of the countries. And Steve Shelley and Aaron Mullan, who played bass (Steve Shelley was the drummer), we were a great team and in 2010 we did, I think, 35 concerts in many countries around the world. I think the first concert was in - excuse my bad pronunciation - Belo Horizonte, something like that, at a festival, which would been a very pleasant experience but, unfortunately, one musician decided to commit suicide. I didn't know the musician but we were out, we were driven around town and looking at very nice places outside the town when we were called back to the hotel, and it was a disaster for the festival, this musician jumped from hotel room up... I don't know, maybe the 20th floor, and so of course it was a very dark shadow which lay across the festival and our experiences in Brazil. I would love to return to Brazil, to South America once again, and to experience concerts and travels without those dark occurrences like in 2010.

ASTRONAUTA - What are your most recent projects and plans to the future?

Photo: Hadley Hudson, 2001.
MICHAEL ROTHER - In recent months I've been playing several live shows: the first in April in Copenhagen, Denmark (in a unique lineup together with Dieter Moebius and Tangerine Dream), then in July in my hometown Bevern, in the courtyard of a historic castle, and then in August at a very wonderful festival in Poland, the OFF Festival, in Katowice. For all three concerts I invited Hans Lampe, the drummer, who played drums on the second side of NEU! 75, and also Franz Bargmann, a guitar player formerly of the Berlin based band Camera. This combination works very well, we are a good team. Next month, in September, we will be playing in Norway, at a festival called Phonofestivalen, and I just finished working on a remix for a British band called "Boxed In", and Paul Weller was recently in touch and asked whether I had time to do some production for him, produce some music, and I may come back to that, but there are also other projects I'm working on, and some new instruments, some new technical gear I want to test and develop some new ideas with. There's never enough time to take care of all the visions of music and projects that are possible. But I'm thankful for the opportunity, and I hope to see South America again and perhaps we will meet then.


Michael Rother's official website: www.michaelrother.de

Entrevista com Michael Rother

Foto: Ann Weitz, 1973.
Michael Rother nasceu no dia 2 de Setembro de 1950, na cidade de Hamburgo, na Alemanha. Seu primeiro contato com a música foi ouvindo a sua mãe executar peças do seu compositor favorito, Frédéric Chopin, ao piano. Na infância, Michael Rother viveu em Munique (Alemanha), Wilmslow (Inglaterra) e em Karachi (no Paquistão, onde ele teve contato com a música paquistanesa), antes da sua família retornar para a Alemanha, para a cidade de Düsseldorf, onde ele juntou-se à sua primeira banda, "Spirits Of Sound", na qual ele tocou guitarra entre 1965 e 1971. Também em Düsseldorf, Michael Rother juntou-se aos músicos Florian Schneider e Klaus Dinger no Kraftwerk, durante um curto período no qual Ralf Hütter deixou a banda para dedicar-se aos estudos de arquitetura. Com o Kraftwerk, Michael Rother tocou em alguns concertos, participou de alguns programas de rádio e TV mas, mais do que isso, foi neste período que ele e o baterista Klaus Dinger descobriram que tinham idéias muito parecidas em relação à música, suas afinidades musicais eram muito maiores entre si do que com Florian Schneider, e logo Rother e Dinger deixaram a banda para formar o NEU!, uma das principais bandas alemãs dos anos 70, servindo como influência para artistas como David Bowie, Brian Eno, Iggy Pop, Joy Division, Ultravox e vários outros. O NEU! gravou três albuns essenciais nos anos 70 (NEU!, 1972; NEU! 2, 1973; e NEU! 75, 1975), trabalhando com outro grande nome do rock alemão, o produtor Conny Plank.

Em 1973, Michael Rother conheceu os músicos Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius. Juntos, Roedelius e Moebius já eram nomes bastante conhecidos no rock e na música experimental alemã, desde o final dos anos 60, primeiramente tocando com Conrad Schnitzler como Kluster e depois como uma dupla, mudando o nome da banda para Cluster. Michael Rother havia escutado uma faixa do Cluster e se interessou pela música da dupla. Com a intenção de convidar Roedelius e Moebius para juntarem-se ao NEU! em uma tour pela Inglaterra, Michael Rother viajou para Forst, onde Roedelius e Moebius moravam, e para onde Michael mudou-se, em seguida, formando o Harmonia, outra banda alemã influente nos anos 70. O primeiro disco do Harmonia, "Musik von Harmonia" foi lançado em janeiro de 1974. Também em 1974, Rother co-produziu "Zuckerzeit", o terceiro álbum do Cluster, e foi durante um concerto do Harmonia em Hamburgo, no Fabrik, que Brian Eno entrou em contato com Rother, Roedelius e Moebius. Em 1975, o Harmonia lançou seu segundo disco, "Deluxe" (com o baterista Mani Neumeier como músico convidado em algumas faixas), e no ano seguinte, no mês de setembro, Brian Eno juntou-se ao trio na sua casa em Forst, Alemanha. "Tracks and Traces", um disco do Harmonia com o Brian Eno, foi gravado durante o período que Eno permaneceu com a banda, mas só foi lançado em 1997, e depois relançado com faixas extras em uma reedição muito bem feita, via o selo Grönland, em 2009 (em 2007, o selo Grönland também lançou o álbum "Live 1974", gravado pelo Harmonia em um concerto na Penny Station, em Griessem, Alemanha, no dia 23 de março de 1974).

Foto: Ann Weitz, 1976.
A carreira solo de Michael Rother começou em 1977, com o grande álbum "Flammende Herzen" (co-produzido por Conny Plank e gravado no estúdio do Conny, entre junho e setembro de 1976). Michael Rother gravou todos os instrumentos no disco, com exceção da bateria, gravada por Jaki Liebezeit, da banda Can. "Sterntaler", segundo disco solo de Rother, também gravado com Conny Plank e Jaki Liebezeit, foi lançado em 1978. "Katzenmusik", seu terceiro disco solo, foi lançado em 1979 e, em 1982, Michael Rother lançou seu quarto álbum solo, "Fernwärme", gravado integralmente em Forst, e pimeiro disco de Rother a ser lançado pela gravadora Polydor. Os discos seguintes de Rother são: "Lust" (1984), "Süßherz und Tiefenschärfe" (1985), e "Traumreisen" (1987). "Radio", uma coletânea lançada em 1993, foi o primeiro álbum a ser lançado pela Random Records, selo do próprio Michael Rother, e foi seguido pelos discos "Esperanza" (1996) e "Remember - The Great Adventure" (2004).

Em novembro de 2010, eu tive a oportunidade de assistir ao Michael Rother ao vivo, no SESC Vila Mariana (em São Paulo) em um concerto muito legal, no qual Michael Rother - jutamente com o baterista Steve Shelley e o baixista Aaron Mullan - tocaram como Hallogallo 2010. Um concerto espetacular, devo dizer! Eu contatei o Michael Rother para convidá-lo a fazer esta entrevista há alguns meses, e eu fico muito feliz que ele tenha encontrado algum tempo na sua agenda atarefada para enviar-me as respostas para a entrevista em áudio, que eu prontamente transcrevi (com a ajuda do próprio Michael Rother). Então é isso, eu tenho a oportunidade de publicar esta entrevista hoje, no dia 2 de setembro, dia do aniversário do Michael Rother! Muito obrigado, Michael, e tenha um ótimo aniversário!

E aqui está a entrevista:

Foto: Hadley Hudson, 2001.
ASTRONAUTA - Michael Rother, quais foram seus primeiros passos na música e seus primeiros instrumentos musicais?

MICHAEL ROTHER - Meus primeiros passos na música foram, naturalmente, ouvindo minha mãe tocar piano clássico, quando eu era bem novo, na minha infância. Minha mãe estudou piano clássico e ela tocava peças do seu compositor favorito, Chopin - Frédéric Chopin - em casa. Mais tarde, quando eu tinha por volta de 7 ou 8 anos de idade, meu irmão que é dez anos mais velho do que eu, fazia festas de rock'n'roll em casa, então eu ouvia rock'n'roll, artistas como Chuck Berry, Elvis Presley, e especialmente Little Richard, que hoje em dia eu ainda adoro.

ASTRONAUTA - Na sua infância e adolescência, você morou em outros países - Inglaterra, Paquistão. Como a música feita nestes países influenciou sua vida e na sua própria musicalidade?

MICHAEL ROTHER - Quando eu tinha 9 anos de idade, depois de viver na Inglaterra por um ano, minha família mudou-se para Karachi, Paquistão, onde nós permanecemos por 3 anos, e eu ouvia... Eu tive contato com a música do Paquistão, haviam músicos, bandas e músicos locais, que tocavam nas ruas e, estranhamente, aquilo me fascinava muito. Eu sentia uma conexão forte com aquela música mágica, infinita, que parecia não ter início nem final, e eu acho que esta é uma conexão especial e emocional que eu tenho com a música até hoje em dia, a idéia de uma música que vai indo, eternamente, sem um ponto certo para acabar. 

ASTRONAUTA - Antes de juntar-se ao Kraftwerk, você fez parte de uma banda chamada "Spirits Of Sound", certo? Onde o "Spirits Of Sound" tocava, na época? E a banda chegou a gravar alguma coisa?

MICHAEL ROTHER - Minha família voltou para a Alemanha em 1963. Eu morava em Düsseldorf, com meus pais. Era um período muito empolgante, porque os novos sons musicais vindos da Inglaterra - especialmente da Inglaterra - estavam chegando na Alemanha, a música de bandas como The Beatles, Rolling Stones, Kinks, e muitas outras. Todos, entre os meus amigos e colegas, nós todos ficamos muito impressionados por aquela música, e vários garotos resolveram que queriam aprender a tocar um instrumento. Eu juntei-me a uma banda, com os garotos da minha sala de aula, quando eu tinha 15 anos de idade. A banda se chamava "Spirits Of Sound". Eu escolhi tocar guitarra, que era algo que já havia me ocorrido quando eu morava no Paquistão, onde eu tentei criar uma guitarra a partir de um instrumento chamado Japan Banjo - eu acho que no Paquistão era chamado por outro nome, mas assim que ele foi chamado, quando apareceu no primeiro disco do NEU!, onde Klaus Dinger tocou aquele mesmo instrumento, estranhamente. 

A "Spirits Of Sound" era, naturalmente, uma banda de colégio, uma banda amadora, e nós nos sentíamos felizes em copiar nossos heróis, tentando soar como os Beatles, os Stones, e outras bandas. Esta era toda a nossa ambição. Eu adorava fazer música, tocava guitarra sempre que podia, depois de terminar minhas tarefas escolares, até o final do dia. Nossa banda era convidada para tocar em festivais colegiais e em pequenos locais na região de Düsseldorf, e assim nós fomos ficando cada vez mais populares na cidade. Então, nos quatro ou cinco anos seguintes, nós gradualmente fomos melhorando como banda, e passamos a pegar músicas de guitar heroes como Eric Clapton (com o Cream) e, mais adiante, até mesmo músicas do Jimi Hendrix, que era - e ainda é - uma grande inspiração para mim. A "Spirits Of Sound" também esteve em um estúdio de gravação, no final dos anos 60, porque fomos convidados para participar de um filme chamado "Ein Tag Ist Schöner Als Der Andere," traduzindo, mais ou menos "Cada dia é mais belo do que o outro", e nós tivemos a chance de gravar duas canções. Eu ainda tenho as fitas, nos meus arquivos e, para você ter uma idéia do que nós estavamos procurando fazer, na época, era um tipo de música que eu abandonaria logo em seguida.

ASTRONAUTA - Como foi, para você, a transição entre ser um membro do Kraftwerk e formar o NEU!, com o Klaus Dinger? 

MICHAEL ROTHER - Em 1971, quando eu tocava com o Florian Schneider e o Klaus Dinger como Kraftwerk, nós fizemos alguns concertos realmente empolgantes, grandes apresentações, mas também alguns concertos que não foram tão divertidos. Parcialmente, isto acontecia por conta dos conflitos entre os membros, mas também por causa do fato de que criávamos música no local, em tempo real, não era um tipo de música completamente premeditada. Então dependíamos muito da situação, da atmosfera e da recepção da platéia. Às vezes, quando tocávamos em algum local que não era tão bom, ou que as circunstâncias não fossem muito favoráveis, não conseguíamos criar uma música tão legal, e as brigas se tornaram grandes no Kraftwerk quando o Florian, o Klaus e eu tentamos, sem sucesso, gravar o segundo disco do Kraftwerk, no estúdio com o Conny Plank. Ficou muito claro para nós três que não continuaríamos trabalhando juntos como um trio. Klaus e eu tínhamos muito mais coisas em comum, nossa visão da música parecia ter mais em comum do que o que Florian estava procurando e então, depois de nos separarmos, Klaus Dinger e eu decidimos continuar como uma dupla. Entramos em contato com Conny Plank, perguntamos se ele gostaria de gravar conosco e foi assim que começou o NEU! Naturalmente, na época, pegamos algumas das nossas idéias, algumas músicas que havíamos tocado com o Florian, como uma visão de música, e levamos para o estúdio. Mas, como você sabe, o primeiro disco do NEU! tem uma sonoridade bem diferente e, na minha percepção, foi ali que a minha própria música começou. Há um corte bem claro com tudo que eu havia feito antes daquilo. Existem similaridades, mas era um grande passo a frente para mim, e eu acho que para o Klaus também. 

ASTRONAUTA - Como você conheceu o Roedelius e o Moebius?

MICHAEL ROTHER - Com o Klaus Dinger era possível gravar as músicas. Para mim, era uma combinação de muito sucesso. Klaus Dinger tinha qualidades que eu não tinha, e eu acho que o contrário também é verdade, então conseguiamos gravar as músicas que fazíamos. Porém, como dupla, com Klaus Dinger tocando bateria e eu tocando guitarra em shows, ao vivo, não havia muita profundidade na música. Com nossos dois instrumentos apenas, não conseguíamos criar detalhes o suficiente, então testamos diversos músicos e, olhando retrospectivamente, é óbvio que não conseguiríamos fazer funcionar, porque nossa visão da música era muito diferente - e também nossas idéais extra-musicais -, eram muito diferentes do que todos os outros músicos tinham em mente. Então meio que paramos de procurar por outros músicos. Mas daí eu descobri uma faixa do Cluster, banda que também estava trabalhando com o Conny Plank, e eu reconheci alí algumas similaridades musicais com minhas próprias idéias. Era uma faixa chamada "Im Süden", e então eu peguei minha guitarra e fui visitar o Roedelius e o Moebius em Forst, com a intenção de descobrir se eles poderiam se juntar ao NEU!, para tocar em uma tour pela Inglaterra. O selo inglês United Artists havia lançado os discos do NEU!, e também o single, e eles convidaram o NEU! para fazer uma tour pela Inglaterra, e então esta foi a razão pela qual eu fui até o interior, para visitar o Roedelius e o Moebius. E porque eu havia levado minha guitarra comigo, eu pude tocar - com o Roedelius especialmente - e, estranhamente, surpreendentemente, descobri que a música que eu tocava com o Roedelius era mais interessante para mim, inclusive, especialmente porque a combinação com os dois músicos, Moebius e Roedelius, levava, nos bons momentos, à uma música completamente fascinante. Nós podíamos tocar ao vivo e criar um quadro muito completo, com sons muito detalhados, e isto era, para mim, isto era muito empolgante, era um novo campo musical, que eu queria descobrir e desenvolver com os dois músicos. Esta foi a razão de eu ter me mudado para Forst, e a razão de eu viver aqui até hoje. 

ASTRONAUTA - Em 1976, o Brian Eno passou alguns dias com o Harmonia, em Forst. Quais são as suas memórias deste período?

MICHAEL ROTHER - Nós conhecemos o Brian Eno em 1974. O Harmonia estava tocando em Hamburgo, estávamos fazendo um concerto na Fabrik, em Hamburgo, e o Brian Eno estava visitando a Alemanha para divulgar seu disco. Então, ele descobriu que estávamos tocando lá e pediu para um jornalista que estava entrevistando-o para levá-lo ao concerto. Então, o Brian acabou chegando no local, fomos apresentados e o convidamos para visitar-nos em Forst. Passaram-se dois anos e então, dois anos depois, ele ligou e perguntou se poderia finalmente vir para Forst, nos visitar, o que não era o melhor período porque no verão de 76, o Harmonia havia acabado. Inclusive, nós três já havíamos gravado nossos próprios albuns, cada um havia gravado um álbum solo com o Conny Plank. Eu havia gravado o "Flammende Herzen", o Roedelius tinha um disco chamado "Durch Die Wüste" e o Moebius estava com uma colaboração com outros músicos, chamada "Liliental". Então, de qualquer forma, nós não quisemos decepcionar o Brian Eno. Ele já estava a caminho para trabalhar com o David Bowie e, então, nós o buscamos em Hanover, no aeroporto, e ele passou 11 ou 12 dias em Forst. Nós gostamos da sua presença, conversávamos bastante sobre música. Nós criavamos música no estúdio, mas não havia absolutamente nenhuma pressão em cima de nós porque, no nosso entendimento, estávamos somente trocando idéias sobre música e não iríamos necessáriamente lançar um disco juntos. Eu tinha um gravador de fitas de quatro canais e então, como éramos quatro músicos, cada um de nós tinha um canal. Às vezes estávamos no estúdio, todos os quatro, às vezes só três ou só dois de nós, e apenas fazíamos esboços de idéias musicais, quando não estávamos caminhando ao lado do rio Weser, ou caminhando na floresta que há na região, ou bebendo chá, ou apenas sentados na frente de casa, no sol, descansando. Então, foi um período bastante despretencioso mas, olhando para trás e ouvindo as gravações que fizemos durante aqueles 12 dias, 10 ou 12 dias, também foi um período de alto potencial musical. É muito óbvio que estávamos em um período muito criativo e relaxado. Lançamos uma versão que o Hans-Joachim Roedelius editou em 1997 e, em 2008, eu adicionei três faixas extras, extraídas da minha própria fita K-7, com mixagens que eu fiz para mim mesmo na tarde anterior à partida do Brian Eno, quando ele levou as fitas com ele. A idéia era que ele voltasse depois de finalizado seu trabalho com o David Bowie. Não ocorreu mas, felizmente, eu tinha esta minha fita K-7 como documento, e descobri que haviam várias outras belas idéias, então eu escolhi três faixas, e Roedelius e Moebius concordaram que deveríamos adicionar estas três faixas ao álbum "Tracks and Traces", que foi lançado pelo selo Grönland em 2009. E é justamente esta versão atual que eu recomendo, na verdade. É um documento de uma fase muito produtiva para os quatro músicos. 

ASTRONAUTA - Quais eram os seus principais instrumentos musicais nos anos 70? 

MICHAEL ROTHER - Bom, meus principais instrumentos nos anos setenta eram, naturalmente, minhas guitarras e alguns poucos equipamentos que eu utilizava para tratar a guitarra, como fuzz box, pedal de wha-wha, pedal de volume e também um delay, que você pode ouvir em todas as minhas gravações e que era uma parte muito importante na criação do meu som. Mas então, ainda nos anos setenta, eu comecei a trabalhar com alguns sintetizadores, especialmente Farfisa, porque eu conhecia o distribuidor da Farfisa na Alemanha. Por conta disto, acabamos com vários equipamentos da Farfisa. Os pianos e sintetizadores da Farfisa também eram utilizados pelas bandas Can e Kraftwerk, nós tínhamos alguns sons de sintetizadores e pianos Farfisa em comum. Às vezes, quando você escuta o som original dos instrumentos, sozinhos, eles soam muito pobres e não são muito interessantes. Mas, combinando com os efeitos que utilizávamos, alguns tratamentos especiais que poderiamos dar ao som, era possível criar paisagens musicais bastante interessantes. Ouça, por exemplo, a faixa "Isi", que abre o disco NEU! 75, aquilo é um Farfisa, vários sons de Farfisa, tratados com alguns equipamentos old school, muito simples, mas que davam vida ao som. Estes eram meus principais instrumentos nos anos setenta. E, porque eu não consigo me desfazer de nenhum instrumento musical que eu utilizei para criar música, eu ainda tenho quase tudo o que utilizei, ainda tenho meus equipamentos no meu pequeno museu particular. 

ASTRONAUTA - Em novembro de 2010 você tocou no Brazil. Quais são suas memórias dos concertos que fez aqui?

MICHAEL ROTHER - Bom, a tour foi bastante excitante porque, antes disso, antes de 2010, eu não havia visitado a America do Sul ainda, não havia me apresentado em nenhum dos países. E, Steve Shelley e Aaron Mullan (que tocou contra-baixo. Steve Shelley foi o baterista), nós formávamos um grande time e em 2010 fizemos, pelo que me lembro, 35 shows em vários países ao redor do mundo. Eu acho que nosso primeiro concerto aí foi em Belo Horizonte, algo assim, em um festival, que tería sido uma experiência muito agradável mas, infelizmente, um músico decidiu se suicidar. Eu não conhecia o músico mas nós estávamos fora, estávamos passeando pela cidade e conhecendo alguns locais muito bonitos pela cidade quando fomos chamados de volta ao hotel. Foi um desastre para o festival, este músico pulou do quarto do hotel... Eu não sei, acho que do vigésimo andar e então, naturalmente, havia uma sombra muito escura pairando sobre o festival e sobre nossa experiência no Brazil. Eu adoraria retornar ao Brazil, à America do Sul mais uma vez, para concertos e viagens sem acontecimentos sombrios como os de 2010.

ASTRONAUTA - Quais são seus projetos mais recentes e planos para o futuro? 

Foto: Hadley Hudson, 2001.
MICHAEL ROTHER - Recentemente, nos últimos meses, eu me apresentei em alguns concertos: o primeiro em abril, em Copenhagen, na Dinamarca (com um line-up único, juntamente com o Dieter Moebius e o Tangerine Dream), em julho eu me apresentei na minha cidade, Bevern, em um castelo histórico, e então em agosto, em um festival maravilhoso na Polônia, o OFF Festival, em Katowice. Em todos os três concertos eu convidei o baterista Hans Lampe - que tocou bateria no lado dois do disco NEU! 75 -, e também o Franz Bargmann, um guitarrista que originalmente fazia parte da banda Camera, de Berlim. Esta combinação funciona muito bem, formamos um ótimo time. No mês que vem, em setembro, estaremos tocando na Noruega, em um festival chamado Phonofestivalen. Recentemente, eu finalizei um remix para uma banda britânica chamada "Boxed In", e o Paul Weller entrou em contato, também recentemente, e perguntou se eu teria tempo para produzir algo com ele, fazer música. E eu devo retomar isto, mas existem tantos outros projetos que estou trabalhando, alguns novos instrumentos, algumas novas tecnologias e equipamentos que eu quero testar, desenvolver novas idéias. Mas eu sou grato pela oportunidade, e espero voltar à America do Sul novamente, e então talvez possamos nos encontrar aí.

Foto: Ann Weitz, 1975.
Site oficial do Michael Rother: www.michaelrother.de 


Wednesday, August 20, 2014

Interview with Bernard Fèvre


Bernard Fèvre was born in April 29th, 1946, and grew up in a working-class suburb five kilometres from Paris, France. In his childhood he used to listen to classic composers like Chopin, Debussy and Ravel, and also jazz, which he knew from radio shows. Bernard became interested and begun to play the piano when he was 4 years old. In the early sixties, he became interested in popular music, mainly from the USA (Ray Charles and others) and England (The Beatles and other). At age 14, Bernard left the school to work on a factory during the day and to join a band in a nightclub, at nights. The second job became his official one, and at 17 he was already earning his life playing music, professionally.

In mid-sixties, at age 18, Bernard Fèvre had to do his military service and went to Germany, staying for 16 months in that country. As soon as he was back to France, he met again some of his old band mates and re-joined them in another band, with whom he toured all over France. Bernard Fèvre played for almost 10 years with this band.

"Suspense", Bernard Fèvre's first solo record, was released in 1975. Recorded in a small apartment in Paris and using only a Teac 4-track tape recorder, some synthesizers and effects, "Suspense" is a very nice early electronic album and a very good example of early "home recording", like Bernard's folowing albums, "The Strange World Of Bernard Fèvre" and "Cosmos 2043" (both released in 1977). The music in those 3 albums can easily fall on the "library music" label, but more than that, those albums shows a careful research on the electronic means to create very nice music, beside being the genesis of Bernard's next project (and the one which gave him international recognition): Black Devil Disco Club.

Recorded and released in 1978, Black Devil Disco Club's first album is one of the greatest "disco music" masterpieces. Credited to Junior Claristidge and Joachim Sherylee (in fact, those were the artistic names for Bernard Fèvre and Jacky Giordano to this project, the second being credited as a co-writer for the lyrics), Black Devil Disco Club was recorded in the suburbs of Paris, again using only synthesizers, tape loops and an occasional drummer. RCA was the original label for the release. In 2004 the original 1978 EP was reissued by Rephlex Records label, and in 2006 Black Devil Disco Club officially came back to life, and Bernard Fèvre released the project's second album, "28 After" (as the title make clear, after 28 years from the project's first album), via UK label Lo Recordings. The same record company is responsible for a re-worked version of the original 1975 album "The Strange World of Bernard Fèvre" (released in 2009), and also for other albums by Black Devil Disco Club - "Black Devil In Dub", 2007, "Eight Oh Eight", 2008, "Circus", 2011 (with guest artists Nancy Sinatra, Jon Spencer and Afrika Bambaataa), and the recent "Black Moon White Sun", released in October 2013. A documentary called "Time Traveler: The Strange World Of Bernard Fèvre" is on production by UK company Multiny Media.

My first contact with Bernard Fèvre was via his Facebook page, and then via Olivier Rigout, who kindly forwarded my emails to Bernard, with this interview (the text was originally sent in French by Mr. Fèvre. Your can check it below the English translation). I'd like to thank so much Bernard Fèvre and Olivier for this opportunity, to interview one of the great names of French electronic music! And here's the interview:



ASTRONAUTA - Which musicians or bands do you remember as your primary influences? And how did you decide to become a musician?

BERNARD FÈVRE - Many musicians attracted me to music and my choice has always been varied. In the '50s I loved Chopin, Debussy, Ravel, and also composers like Edith Piaf, that I did not know by name, I've always loved to listen to the radio because I loved all the genres of music of my time. My first favorite radio show was called "For Those Who Love Jazz".

In the '60s the music that had magnetized me came mostly from America, England and Brazil. I think that, at that time, those 3 countries produced things that had a lot of soul. I loved Ray Charles, Stevie Wonder, Quincy Jones, Diana Ross & The Supremes, The Rolling Stones, The Animals, The Beatles, The Yardbirds, Sergio Mendes, Stan Getz, Vinicius de Moraes, and other creators of Bossa Nova tunes, which I know but not by name.

Two things made me decide to take the path of music: 1) irreparable instinct that drove me to play the piano without learning and 2) at 18 years old, a deep desire to not work ina a factory like my father, that I rarely saw because of those insane working schedules.

ASTRONAUTA - How did you become interested in electronic music and electronic instruments? What was your first electronic music instrument?

BERNARD FÈVRE - After playing acoustic and electric keyboards in bands, it was logical that I'd come into the "electronics and synthesis", so I bought my first Korg synth in 1973, that I always had as a key element of the environment of the BDDC and Bernard Fèvre.

ASTRONAUTA - You lived in Germany for some time in the sixties, right? How did German music and arts influenced your musical career? Which bands did you hear at that time?

BERNARD FÈVRE - I just lived in Berlin for 16 months, in a French army barracks where there was no German, unfortunately, and I did not often go out because I was out of money. I still saw a few concerts in town, that were rather decadent Krautrock precursors, and surprised me by the look :) I only knew Kraftwerk much later, in France. I was influenced by Vangelis Papatanasious, so rather Greek! If you listen to my drums (on BDDC), you will hear more South American than German music :) In general, I avoided influences because I am very impressionable. Ennio Morricone and François de Roubaix were, in Europe, the musicians whose film music I loved the most.

ASTRONAUTA - How did you record your first albums - Suspense (1975), The Strange World Of Bernard Fevre (1975) and Cosmos 2043 (1977)? How it was the recording process for those albums?

BERNARD FÈVRE - I recorded that all in an "apartment" of about 9 square meters, in Paris 75010, alone on a TEAC 4 tracks tape recorder, with French FX that have all gone...

ASTRONAUTA - Your musical style changed from the first albums to your next project, Black Devil Disco Club. How it was that transition for you?

BERNARD FÈVRE - Sometimes I sit down and sometimes I stand up, with the urge to move my legs and "Elvis" pelvis... So I asked the spirit of Bernard Fèvre for a disco kick, and I became a litte bit evil like that, hehe!

ASTRONAUTA - What are your recent projects and plans to the future (albums, concerts, etc.)?

BERNARD FÈVRE - Here I am with an Library Music album (coming back home), that will be a mix of acoustic and synthesized sounds. I've been preparing for one year the next BDDC, with more pronounced influences from Brazil. I hope to succeed. In the spring of 2015 all of my work from the '70s will be republished, thanks to friendly labels around the world, and after 4 years of hard working from Alter K (my current editor), to get back my publishing rights, unused for 30 years.

ASTRONAUTA - There's a documentary going on, about your life and music - "Time Travel: The Strange World Of Bernard Fevre". Are there any news about when it will be available, when it will be released? Are you active on the production of this documentary?

BERNARD FÈVRE - Yes, the British are still among my biggest suporters! So, "Mutiny Media" productions have already turned the first images of a documentary, which will be dedicated to my forgetfulness and my rediscovery in the world of international music. I am very proud of that.

ASTRONAUTA - One last question, what was your preferred synthesizer in the seventies? Do you still have some (or all of the) instruments and equipments that you used in the seventies?

BERNARD FÈVRE - I loved the Moog and the Korg. My favorite is a Korg 700, always willing to help me! I'm working on an old Mac, with plugins from early 21st century. They are already vintage, but I don't want to be apart from them.



Original text for the interview, in French:

ASTRONAUTA - Quels musiciens ou groupes vous souvenez-vous que vos principales influences? Et comment avez-vous décidé de devenir musicien?

BERNARD FÈVRE - Beaucoup de musiciens m'ont attiré vers la musique et mon choix a toujours été très varié. Dans années 50 j'amais bien Chopin, Debussy, Ravel, et aussi les compositeurs de chanteurs comme Edith Piaf dont je ne savais pas le nom, j'ai toujours aimé écouté la radio car j'aime avant tout avoir un aspect général de la musique de mon époque. Ma primière émission de radio préférée s'appelait "Pour ceux qui aiment le jazz".
Dans les années 60 la musique qui m'a aimanté venait le plus souvent d'Amérique, d'Anglaterre et du Brésil je pense qu'à l'époque ces 3 pays produisaient des choses qui avaient beaucoup d'âme, j'aimais Ray Charles, Stevie Wonder, Quincy Jones, Diana Ross & The Supremes, Les Rolling Stones, Les Animals, Les Beatles, Les  Yardbirds, Sergio Mendes, Stan Getz, Vinicius de Moraes eu d'autres faiseurs de bossa nova dont je connais les mélodies mais non le nom.
Ce qui n'a décidé à prendre le chemin de la musique c'est 2 choses: 1) un instinct irrémédiable qui me poussait à jouer du piano sans avoir appris et 2) à 18 ans le désir profond de ne pas travailler dans une usine comme mon père que je voyais rarement vu ces horaires de travail insensés.

ASTRONAUTA - Comment t'es-tu intéressé à la musique électronique et instruments électroniques? Quel a été votre premier instrument de musique électronique?

BERNARD FÈVRE - Après été clavier de groupes de musique acoustique et électrique il était logique que je vienne vers l'électronique et la synthèse, j'ai donc acheté en 1973 mon premier synthé Korg, que j'ai toujours eu qui este un élément primordial de l'environnement de BDDC eu de Bernard Fèvre.

ASTRONAUTA - Vous avez vécu en Allemagne pendant un certain temps dans les années soixante, non? Comment la musique et les arts allemand n'ont influencé votre carrière musicale? Quels groupes avez-vous entendu à ce moment-là?

BERNARD FÈVRE - J'ai juste vécu à Berlin 16 mois dans une caserne de l'armée Française où il n'y avait pas de cours d'allemand malheureusement, et je ne sortais pas souvent par manque d'argent, j'ai quand même vu quelques concerts en ville qui étaient plutôt du rock décadent précurseurs de Kraut et qui me surprenaient par le look :) j'ai connu Kraftwerk bien plus tard en France. J'ai été influencé par Vangelis Papatanasious, donc plutôt grec! Si vous écoutez mes percussions (BDDC) vous y entendres plus de Sud Américan que de German Music :) De manière générale j'évite les influences car je suis très influençable. Ennio Morricone et François de Roubaix étaient, en Europe, des musiciens dont j'amais les musiques au cinéma.

ASTRONAUTA - Comment avez-vous enregistrer vos premiers albums - Suspense (1975), The Strange World of Bernard Fevre (1975) et Cosmos 2043 (1977)? Comment ça a été le processus d'enregistrement pour ces albums?

BERNARD FÈVRE - J'ai enregistré tout ça dans une "chambre de bonne" de 9 m2 environ, à Paris 75010, seul sur un tape recorder TEAC 4 tracks avec des FX Français qui ont tous disparus...

ASTRONAUTA - Votre style musical a changé depuis les premiers albums à votre prochain projet, Black Devil Disco Club. Comment c'était que la transition pour vous?

BERNARD FÈVRE - Parfois je suis assis et parfois debout avec l'envie de bouger les jambes et le pelvis "Elvis"... J'ai donc posée l'espirit Bernard Fèvre sur un kick disco et je suis devenu un peu diabolique, comme ça, HéHé!

ASTRONAUTA - Quels sont vos projets et les plans récents à l'avenir (albums, concerts, etc.)?

BERNARD FÈVRE - Là je suis sur un album de Library Music (retour aux sources) ce sera un mélange d'acoustique eu de synthés.
Je prépare depuis 1 an un prochain BDDC aves des influences plus marquées Brésil, j'espère réussir au printemps 2015 tout mes travaux des '70s von être réédités, grâce à des Labels amis dans le monde entier, et après 4 années de travail acharné d'ALTER K (mon éditeur actuel) pour récupérer mes droits d'éditions inexploitées durant 30 ans.

ASTRONAUTA - Il ya un documentaire en cours, au sujet de votre vie et de la musique - "Voyage dans le temps: The Strange World of Bernard Fevre". Y at-il des nouvelles de quand il sera disponible, quand il sera libéré? Êtes-vous actif sur la production de ce documentaire?

BERNARD FÈVRE - Oui, les Anglais sont toujours parmi mes plus grands supporters! Donc les productions "Mutiny Media"ont déjà tourné les premières images d'un docu qui sera consacré à mon oubli et ma redécouverte dans le monde de la musique internationale, je suis très fier de cela.

ASTRONAUTA - Une dernière question, quel était votre synthétiseur préféré dans les années soixante-dix? Avez-vous encore un peu (ou tous les instruments) et les équipements que vous avez utilisé dans les années soixante-dix?

BERNARD FÈVRE - J'aimais les Moog et les Korg, mon fétiche este un Korg 700 toujours prêt à m'aider! Je travaille sur un vieux Mac avec des plugins du début du 21ème siècle, ils sont déjà vintage mais je ne veux pas m'en séparer.